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Urina preta: como comer peixe com segurança em Belém | Notícias Pará | Diário Online

Urina preta: como comer peixe com segurança em Belém | Notícias Pará | Diário Online

Após o anúncio de casos da Doença de Haff ou “doença da urina preta” no Pará, causada por uma toxina que pode ser encontrada em alguns tipos específicos de peixes (tambaqui, badejo e arabaiana) e em crustáceos (camarão, lagosta e lagostim), empreendedores que atuam com a venda de refeições a partir do preparo dos produtos já começaram a sentir os prejuízos com a queda nas vendas na capital paraense.

Mas, afinal, o que é doença de Haff ou “da urina preta”?

“Doença da urina preta”: terceiro caso é investigado no Pará

Em nota enviada ao DIÁRIO, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) informou que, por meio do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS), foi notificada e investiga, no momento, seis casos suspeitos da síndrome de Haff, um em Belém, um em Trairão e quatro em Santarém. A Sespa emitiu nota de alerta com orientações para identificação e notificação de casos suspeitos. E informou ainda que orienta os municípios a aumentar a atenção à inspeção sanitária dos locais de venda e sobre a importância do acondicionamento correto do pescado.

Proprietário da “Peixaria do Garcia”, no bairro da Pedreira, o empresário João Garcia produz pratos à base de filhote e pescada amarela. O carro-chefe do restaurante é o tradicional peixe frito. Mas no cardápio o cliente também encontra peixe na chapa, à milanesa, caldeirada, moqueca e outros.

Segundo João, embora a doença não esteja relacionada com as espécies que o estabelecimento trabalha, a notícia já provocou queda no movimento. “A Peixaria do Garcia já existe há 15 anos e nesse tempo já passamos por muitos processos: pandemia, gestão econômica e a gente encarou, segurando todos os funcionários. A nossa qualidade sempre foi bem elogiada pelos nossos clientes. Os peixes são frescos e vêm de Vigia e do Ver-o-Peso. Não são todos os tipos de peixes que podem estar contaminados com a doença, mas a população fica com receio.”

Garcia explicou ainda o cuidado no processo de armazenamento do pescado. “Compramos fresco e armazenamos de forma resfriada. Ele não dura muito tempo, porque não compramos em grande quantidade. É no máximo para dois dias. Não trabalhamos com peixe congelado, sempre tivemos essa tradição. Nunca trocamos de fornecedor, nunca nos deram problema, então não tem porque trocar. Antes da pandemia, estávamos em uma escala de subida e hoje o movimento é um sobe-desce. Tem dia que dá e tem dia que não. E agora teve essa questão dos casos de urina preta”, pontuou, acrescentando que tem utilizado as redes sociais do restaurante para tranquilizar e esclarecer os clientes.

RECOMENDAÇÕES

A Sespa informou que em caso de sintomas como dor muscular intensa nas costas e membros inferiores, urina de cor escura associada a ingestão de pescado em até 24h, é necessário buscar atendimento médico imediatamente. “Ressaltamos que o monitoramento, bem como o acompanhamento dos pacientes, é de responsabilidade da vigilância do município. A Secretaria esclarece que encaminhou, por meio do Laboratório Central do Estado do Pará (Lacen), os exames sanguíneos e de urina dos casos suspeitos para laboratório de referência e aguarda os resultados”.

Criados em cativeiro, peixes são monitorados e cuidados

Segundo o engenheiro de pesca da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Jeanderson Viana, os peixes que apresentam essa toxina se encontram em ambiente natural, local onde não é possível realizar o monitoramento, diferente do peixe de cativeiro. “Na piscicultura o produtor alimenta o peixe com uma ração adequada, realiza o monitoramento da qualidade da água e o controle de possíveis patógenos, a fim de garantir uma sanidade ambiental e segurança alimentar”, disse.

Proprietário do Tambaqui & Companhia Belém, Graciliano Lima, que atualmente possui três pontos comerciais em Belém, trabalha com a venda do tambaqui criado em cativeiro para comercializar tanto congelado quanto assado na brasa. O estabelecimento funciona somente para a retirada e delivery. Para o empresário, ainda faltam esclarecimentos para que a população entenda que o peixe criado em cativeiro não representa riscos de contaminação pela doença. “Trabalho com o tambaqui sem espinhas, criado em cativeiro. As pessoas entenderam que todo peixe está contaminado. Temos depoimentos de técnicos da Embrapa e outros pesquisadores que atestaram que o tambaqui de cativeiro não tem esse problema. A população que consome não foi atrás desses estudos e isso causou queda nas vendas e de 90%, é muito grave”, comentou.

O empreendedor teve de dispensar os funcionários do trabalho temporariamente. “Gero 12 empregos diretos e meus funcionários estão em casa, parados. Temos frigorífico que faz toda a preparação do peixe, recebemos congelado e mantemos até o momento que será assado. Nunca fica exposto. É muito bem acondicionado em sacos plásticos, cada um, e retira apenas para comercializar. Depois é higienizado com água e limão, e aplicado o tempero”, detalhou.

Diante dos prejuízos, o empresário cobra uma ação mais efetiva dos órgãos para esclarecer o cenário da doença. “Que façam uma divulgação baseada em estudos para demonstrar que o peixe de cativeiro é seguro. Essa doença já existe há anos no mundo. Mas ninguém tem certeza da causa ainda”, ponderou.

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