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Emigrante de Penafiel na Bélgica: “Não estou a levar a minha gravidez como queria”

Emigrante de Penafiel na Bélgica: "Não estou a levar a minha gravidez como queria"

Isabel Pinto é uma jovem de Penafiel que está a viver há três anos na Bélgica com o seu companheiro. Grávida de quase cinco meses, confessa que não era o atual cenário mundial que ambos imaginavam enquanto sonhavam com o nascimento da primeira filha.

“É uma bebé muito desejada”, revela, pois é a primeira neta dos seus pais e dos seus sogros. Mas veio mais cedo do que esperava. “A minha ideia nunca foi engravidar aqui, portanto, já que aconteceu, ponderamos em ir [para Portugal], mas depois também pensámos: em Portugal também está mau de trabalho, então, vamos esperar mais um bocadinho”, conta Isabel Pinto.

“Soube que estava grávida um mês antes de isto [medidas implementadas no âmbito da pandemia causada pelo COVID-19] começar a apertar aqui bastante, portanto, não estou a levar a minha gravidez como queria”, refere, explicando que esteve cerca de dois meses em casa, não saindo sequer para ir à caixa de correio – tudo por precaução. O pai da menina que aí vem também ainda não assistiu ao vivo às ecografias, apenas através de fotografias e vídeos.

“Não estava à espera, pensava que ia ter uma gravidez melhor… sempre em casa, não posso ir às compras, nem para comprar coisinhas nem nada”, lamenta.

Isabel Pinto tinha planeado vir a Portugal para estar com a família assim que soube que tinha engravidado, mas o COVID-19 também obrigou a adiar esse momento. Além disso, assim que completar 24 semanas de gravidez, explica que é “obrigada a parar”, de acordo com a lei e, por isso, não poderá viajar. Espera, por isso, que os pais, sogros e a irmã a possam visitar quando a bebé nascer.

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“Está previsto ela nascer no final de setembro. Se isto não melhorar, o Tiago [companheiro] também não vai poder estar comigo e aí vai ser ainda mais difícil, porque ele não tem acompanhado a gravidez como esperávamos, se ele não estiver lá no hospital comigo ainda vai ser muito mais difícil, tanto para mim como para ele, portanto, tenho esperança que isto melhore”, conta.

“As pessoas começaram a cumprir logo de início”

Até ao início deste mês, Isabel Pinto diz que não podiam sair do concelho, caso contrário, havia uma multa, que se não fosse paga, levaria à prisão. “Acho que ajudou muito às pessoas não saírem, pelo menos, na zona onde vivo [Gavere – província de Flandres Oriental], porque sei que em Bruxelas, pelas notícias que vejo, não é assim”, acrescenta.

“Agora comecei a trabalhar e vejo pelo trânsito e tudo, muitas pessoas ainda não estão a trabalhar e quando o Tiago ia às compras estava deserto, as pessoas começaram a cumprir logo de início, até porque aqui a população é mais idosos que jovens e acho que as pessoas começaram também a ter logo consciência do que se estava a passar, até porque os números são assim um bocadinho grandes”, explica.

Atualmente, as medidas implementadas no âmbito do COVID-19 começaram a aliviar e a jovem decidiu regressar ao trabalho (empresa de limpeza, em casas particulares), onde permanecerá até ao início de junho. Sublinha que sai “unicamente para o trabalho” e que “confia muito” nos seus clientes, que lhe deram máscaras e desinfetante, tal como a empresa.

“Se todos cumprirmos com as regras, o mínimo de proteção e, se todos fizermos o esforço, acho que isto passa mais rápido do que está previsto e espero que todos fiquem bem e que os números não continuem a aumentar, honestamente”, conclui.

“Tínhamos uma ideia diferente de Portugal”

Isabel Pinto e o companheiro emigraram à procura de “uma vida melhor”, mas acreditam que “não tem sido uma experiência muito boa”.

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“Quando viemos para aqui, tínhamos uma ideia diferente de Portugal, que não nos dava aquilo que estávamos à espera”, explica, referindo que queriam juntar-se e tinham ambos créditos de automóvel, por isso, por muito que “as famílias deitassem a mão, ia ser difícil”. “Mas quando chegamos aqui… não tem nada a ver com aquilo que imaginávamos. Tivemos de começar muitas vezes de novo e agora, neste momento, estamos minimamente bem, mas prefiro Portugal”, sublinha.

“O limite era sempre de cinco, seis anos, no máximo, portanto, a ideia nunca foi ficar aqui até à reforma ou muito tempo. Ainda por cima agora que engravidei, por muito que fosse planeado, a nossa ideia de ir para Portugal de vez aproxima-se ainda mais”, explica.

Inicialmente, estavam a viver no centro de Bruxelas, mas agora escolheram o município de Gavere, situado na província de Flandres Oriental, “uma zona mais rural” que os faz “lembrar mais um bocadinho de Portugal”.

“A experiência de termos vindo para aqui foi de darmos mais valor a Portugal e à família também”, sustenta.

COVID-19 na Bélgica

Na Bélgica, foram confirmados, até terça-feira, mais de 53 mil casos de infetados pelo novo coronavírus e mais de oito mil mortes.

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