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Educação financeira começa cedo: 4 exemplos de como fazer isso na prática

Educação financeira começa cedo: 4 exemplos de como fazer isso na prática

A professora do Colégio Batista, em Porto Alegre, conta que a ideia de levar a turma da 4ª Série o Ensino Fundamental busca inserir comparações de preços entre o que é praticado no supermercado e na feira. “Estamos em um projeto de educação financeira que visa ao consumo consciente. A ideia é que eles possam comparar e criticar”, cita a professora. “É muito fácil ir ao súper com os pais e ir pegando o que quer. É importante valorizar o dinheiro”, reforça ela. 

VÍDEO: Alunos encaram pesquisa de preço em súper e na feira 

Disciplina extracurricular ensina a estudantes o valor do dinheiro

Projeto oferece educa

Severo (em p) confere como os alunos planejaram frias com limite de dinheiro para gastar
CLAITON DORNELLES /JC

Patrcia Comunello

Qual é o melhor jeito de começar a aprender sobre o valor do dinheiro? Uma escola de Porto Alegre atendeu aos pedidos dos próprios alunos e criou uma disciplina extracurricular sobre educação financeira. E o resultado já está aparecendo.

De quanto custam todos os meses para os pais à taxa que se paga de anuidade do cartão de crédito, os estudantes de Ensino Médio do Colégio Marista Ipanema, na zona sul da Capital gaúcha, descobriram que nada é de graça. Aliás, a primeira lição que receberam na sala de aula do educador financeiro Adriano Severo foi fazer a conta das despesas que cada um gera à família.

“A minha mãe somou os gastos com viagem, comida, transporte, etc e deu uns R$ 4 mil por mês comigo”, contabilizou Giulia Rillo Rocha. “É bastante”, concluiu, fazendo uma autoavaliação e admitindo que “gastava com coisas desnecessárias, comprando roupa que não preciso ou produto mais caro no súper”.

“Parei para pensar e dá para pagar muita coisa com esse dinheiro. Falei com ela (minha mãe) e vamos dar uma ‘ajeitada’. Vou economizar porque quero fazer intercâmbio fora do País e investir no meu inglês. Tudo isso custa dinheiro, né”, concluiu a jovem.

#fin no YouTube: As primeiras lições sobre finanças os alunos não vão esquecer  

O conteúdo de seis encontros teve muitos exemplos práticos, como o exercício de quanto cada um deles custa à família. Severo aposta que é o melhor jeito de aprender finanças pessoais para quem está na faixa dos 14 aos 17 anos.

As atividades também incluíram levantar objetos que não eles não usam mais e que podem ser vendidos gerando um dinheiro extra, até como montar viagens de férias de 30 dias para quatro pessoas, com destinos no Brasil e no exterior, com limite de gasto de R$ 40 mil.  

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“É tanto dinheiro que não sabemos bem o que fazer, por onde começar”, admite Gabriel de Borges Sattler, sobre o desafio de fazer caber os desejos das férias no limite do orçamento dado pelo professor. “O segredo é fazer os roteiros e montar as opções de lazer com o dinheiro que se tem”, orientou o educador. “Tem de caber no orçamento”, resume Severo, citando uma regra de ouro do planejamento das finanças pessoais. 

Isabela Maria Martins Brum diz que foi o exercício de que mais gostou. “Descobri que a gente gasta muita coisa no impulso e também que, dependendo da data em que se comprar a passagem aérea, a diferença pode ser de até R$ 2 mil!”, cita Isabela.

Além disso, Gabriel também já decidiu vender o violão que não toca mais. O colega Arthur Pinto Lages reuniu uma bicicleta e um mouse de computador para o mos fim. Os dois vão fazer um ‘dinheirinho’. “Não sabia muito bem como fazer isso, aí surgiu essa aula na escola e agarrei a chance para aprender”, valoriza Arthur.

“Tem de aprender a priorizar”, completa Lucas Rodrigues Madeira, que abriu o jogo durante a reportagem do #fin – Finanças e Investimentos. “Torrava toda a mesada de R$ 350,00 que recebia. Agora quero guardar um pouco. Ah, e quero trabalhar com investimentos na bolsa de valores no futuro. Meu avô já faz isso”, completa.   

A capacidade da turma de rapidamente assimilar as estratégias surpreendeu Severo, que vê na geração dos millenials, que identifica o comportamento da faixa etária dos alunos da turma, novas formas de encarar a relação com o dinheiro. O acesso à internet é uma das influências, acredita.          

Olimpada testa gesto financeira de crianas e adolescentes

Olimp

Alunos de diversas idades responderam a temas de educao financeira
PATRICIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC

Patrcia Comunello

Eles não podem nem trabalhar, não ganham seu próprio dinheiro, no máximo, têm de gerir a mesada, mas já estão testando conhecimentos básicos de como fazer a melhor gestão financeira. Este foi o clima entre os 40 finalistas da 1ª Olimpíada Brasileira de Educação Financeira (OBEF), que ocorreu nesse sábado (9) em Porto Alegre e outras capitais pelo País. A iniciativa foi liderada por um grupo da Faculdade de Ciências Econômicas (FCE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e atrair professores e pais de participantes classificados nas duas etapas anteriores de diversas cidades gaúchas.

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Nas três fases, mais de 2 mil alunos das redes de Ensino Básico testaram duas habilidades em responder a questões com temas como juros, o uso do dinheiro, perfil de gastos e outras questões para avaliar o conhecimento em cada nível escolar. De São Luis Gonzaga, quase na fronteira com a Argentina, vieram mães com seus filhos de sete a nove anos. “Aprendendo desde cedo, eles vão saber valorizar mais o dinheiro e saber economizar”, diz Ritieli Ferreira Cantini, mãe de Eduarda, oito anos. “A gente aprende o que tem de comprar por necessidade e o que é supérfluo”, explica Eduarda.

A coordenadora do projeto e professora da FCE, Wendy Carraro, cita que os temas básicos justamente ajudam a preparar mais os pequenos e até as famílias, pois muitos levam para casa o que aprendem nas escolas. Mais e mais estabelecimentos adotam as lições de educação financeira, seja como uma disciplina ou  e como conteúdo que é inserido em outras áreas do conhecimento. “Estão formando indivíduos que vão estar mais preparados para tomar decisões sobre o seu dinheiro”, destaca Wendy.

Quatro passos para gerir as finanas pessoais e realizar sonhos

Entrevista com Fernanda Chiden, da Sicredi, sobre programa de educação financeira para o Finanças e Investimentos

Fernanda aponta que o mtodo prev controle de gastos, sonhos, oramento e poupana
LUIZA PRADO/JC

Patrcia Comunello

É possível organizar a vida financeira de forma rápida? Como, por exemplo, saber onde está gastando o dinheiro e como pode sobrar também para projetos futuros? Sim, é possível, mas é preciso ter método.

Seguindo a ideia de levar informações sobre educação financeira e finanças aos jovens – e a quem estiver buscando estes conhecimentos – o #fin – Finanças e Investimentos apresenta agora o método com quatro passos para começar a colocar certa ordem na vida vida financeira, independentemente do tipo de trabalho, fonte de renda e planos futuros das pessoas.

O método vem sendo disseminado pela cooperativa de crédito Sicredi Sul às suas unidades e comunidades onde estão. O Sicredi é um banco cooperativo, que segue regras específicas para o setor, mas onde as pessoas têm conta bancária, buscam crédito, investem etc. E a instituição percebeu que as pessoas precisavam adotar estratégias de educação financeira para conseguir ter uma vida melhor. 

A educadora financeira Fernanda Chidem da Costa é uma das multiplicadoras do método DSOP. Cada letra equivale a uma ação: D de Diagnóstico, S de Sonhos, O de Orçamento e P de poupar. A cooperativa conversou com o autor do método, Reinaldo Domingues, educador e terapeuta financeiro, sobre a ideia de aplicar a metodologia, e Domingues deu o sinal verde. Em 2018, o Jornal do Comércio mostrou o impacto desse programa na Serra Gaúcha. Confira mais aqui.

> VÍDEO: Confira no cana do JC no YouTube o passo a passo do DSOP

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O DSOP é uma estratégia para que as pessoas incorporem educação financeira no dia a dia. O Sicredi montou até um kit do DSOP para que a pessoa possa se organizar e ler sobre o tema. 

Tudo começa com o diagnóstico (D). O Sicredi criou um material didático para quem quiser se aprofundar na metodologia. Um dos itens do kit é um caderninho verde chamado de Apontamentos de despesas. E tudo começa com o preenchimento das páginas com dia, mês e tipo de gasto, explica Fernanda.

“A ideia do caderninho é fazer um diagnóstico das despesas. Todo mundo sabe quanto ganha e quanto gasta ao mês, mas as pessoas perdem o controle com as pequenas despesas”, adverte a educadora financeira. A anotação é por tipo de despesa e mês, desde a conta de cada ida ao supermercado, à farmácia, posto de combustível e lojas. “A ideia é fazer por 30 dias para ter um raio-x dos gastos”, orienta Fernanda.

No segundo passo, define-se o sonho (S), que pode dividido em três etapas – curto prazo (de um a dois anos), de médio prazo (até 10 anos) e de longo prazo, acima dos dez anos, explica a educadora. “A gente vai vendo os desejos e sonhos e colocando no papel para poder concretizá-los depois.”

O orçamento (O) é o terceiro passo e reúne as receitas, os gastos (lançados no caderninho) e os sonhos (quanto é preciso de dinheiro para realizá-los). “E atenção: o orçamento antigo de receita menos despesa não existe mais. Agora é receita – sonhos – despesas = orçamento total”, ensina ela.

O quarto e último passo é poupar (P). E não interessa onde a pessoa vai aplicar o dinheiro definidos para este fim (fundo de investimentos, ações, plano de previdência ou até poupança). “Preciso saber onde estou guardando o meu dinheiro para realizar os sonhos que defini no segundo passo.” 

Terapia com o Educador Financeiro (TEF): 

Ficou com alguma dúvida sobre o método do DSOP, tem dificuldades para começar a fazer essa organização geral das finanças. Achou impossível aplicar em sua vida ou adota outro tipo de estratégia? O #fin quer conversar sobre estas dúvidas e ideias sobre como lidar com este assunto. Comente aqui na matéria, traga perguntas que vamos ouvir educadores financeiros como a Fernanda Chidem da Costa para ampliar as informações.   

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